⚡ Rizotomia de Coluna Torácica por Radiofrequência

⚡ Rizotomia de Coluna Torácica por Radiofrequência

> "Atingindo as facetas do meio das costas através de uma janela segura, desligando a dor torácica mecânica sem perfurar o véu que protege os pulmões."


📋 O que é?

Procedimento de desnervação facetária guiada por imagem aplicada à coluna torácica (dorsal), região anatomicamente desafiadora devido à proximidade com a pleura e aos órgãos torácicos. Através de punção percutânea específica, coagulamos os ramos mediais dos nervos torácicos (T1-T12) que inervam as articulações facetárias dorsais, responsáveis por dores mecânicas na região interescapular, paravertebral ou torácica lateral.

A coluna torácica é o "corset" rígido do tronco, com facetas orientadas frontalmente que favorecem a rotação mas limitam a flexão. Quando degeneradas ou traumatizadas (fraturas por compressão osteoporóticas antigas), geram dor persistente que não irradia como ciática, mas apresenta-se como "nó" profundo nas costas. A rizotomia torácica exige respeito pela caixa torácica.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Dor torácica crônica facetária confirmada por bloqueios diagnósticos positivos (T4-T12 principalmente)

🎗️ Dor pós-fratura por compressão osteoporótica crônica (fraturas antigas consolidadas mas dolorosas)

🎗️ Artropatia facetária torácica degenerativa sem comprometimento radicular

🎗️ Dor interescapular refratária (entre as escápulas) de origem mecânica

🎗️ Falha de tratamento conservador (fisioterapia postural, infiltrações intra-articulares)

🎗️ Dor torácica mecânica pós-cirurgia torácica ou mamária (compensatória)


🔧 Abordagens específicas torácicas

🔍 Abordagem Oblíqua Clássica (T4-T10) Punção em ângulo de 45-60 graus, entrando lateralmente e avançando medialmente para evitar a cúpula pleural, direcionando-se ao ponto de acesso dos ramos mediais na base do processo transverso.

🌊 Abordagem para T1-T3 (Transpedicular Modificada) Similar à cervical alta, com cuidado redobrado com a pleura apical (risco de pneumotórax).

🎯 Abordagem para T11-T12 (Transição Lombossacra) Similar à lombar, mas com atenção às últimas costelas e inserção diafragmática.

🔄 Técnica de "Tunnel View" Fluoroscópico Visualização específica onde o processo articular superior é visto "em túnel" para garantir que a agulha está abaixo da articulação e acima da pleura.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral com rotação leve do lado a ser tratado para cima (obliquidade), facilitando o acesso lateral e afastando a escápula (quando T3-T7).

2️⃣ Localização: Fluoroscopia em projeção oblíqua (15-25 graus) para abrir os espaços entre as facetas e visualizar a "silhueta" do processo articular superior. Marcadores ósseos críticos: processo transverso, articulação facetária, cabeça da costela.

3️⃣ Inserção: Anestesia local, agulha de RF introduzida lateralmente, avançando em trajetório cefalomedial até o ponto de encontro entre o processo articular superior e o transverso — o "alvo" do ramo medial torácico.

4️⃣ Confirmação: Teste sensorial (reprodução de dor torácica profunda), teste motor negativo (sem contração intercostal ou diafragmática). Injeção de anestésico (1-2 ml).

5️⃣ Lesionamento: 80-90°C por 60-90 segundos. Múltiplos níveis podem ser tratados (geralmente T4-T5 até T10-T11 em bloco se dor difusa).

⏱️ Duração: 45-60 minutos (mais lento que lombar devido à precisão angular).


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: Ambulatorial — alta após 2-3 horas (observação respiratória prolongada devido ao risco pneumotórax).

🚶 Mobilização: Imediata — sem restrições posturais específicas além de evitar rotação torácica brusca por 48h.

📅 Recuperação:

  • Dor local na costela/costa: 3-5 dias
  • Desconforto respiratório leve (incômodo inspiratório): 24-48h (irritação pleural mínima)
  • Alívio da dor torácica: 2-4 semanas
  • Recuperação completa: 4-6 semanas
  • Retorno ao trabalho: 3-5 dias (sedentário), 2-3 semanas (físico)

🎯 Resultados:

  • Eficácia similar à lombar (60-70%) quando seleção rigorosa
  • Duração: 6-12 meses
  • Melhora da expansão torácica e postura

🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

O risco principal é a pneumotórax (gás na pleura), devido à proximidade com os pulmões.

Efeitos temporários:

  • Dor local intensa (costela)
  • Sensação de "pontada" ao respirar fundo (pleurodinia benigna)
  • Espasmo muscular interescapular

Nossa equipe está preparada para:

  • Pneumotórax (1-5% dos casos, dependendo do nível e técnica) — aspiracao com agulha ou drenagem torácica se sintomático
  • Hematoma paravertebral — raro, autolimitado
  • Lesão de raiz intercostal — neuropatia dolorosa local rara
  • Perfuração costal (agulha entre as costelas) — evitada com visualização fluoroscópica rigorosa

Conversamos previamente sobre:

  • Risco específico de pneumotórax maior nos níveis superiores (T1-T3) e inferiores (T11-T12)
  • Sintomas de alerta: falta de ar súbita, dor torácica pleurítica aguda, cianose — exigem avaliação emergencial e raio-X
  • Limitação: não trata dor visceral torácica (cardíaca, pleural, esofágica) — apenas dor mecânica facetária
  • Necessidade de correção postural associada (fortalecimento dos músculos interescapulares)

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Indicação específica para dor mecânica torácica facetária — diferencial diagnóstico rigoroso com dor visceral é obrigatório

🔹 Contraindicada se escoliose severa rotatória (dificuldade técnica), pneumopatia severa (risco aumentado), ou instabilidade segmentar

🔹 Técnica mais desafiadora que a lombar — exige operador experiente em abordagens torácicas

🔹 Associação com tratamento da osteoporose (se presente) essencial para prevenir novas fraturas


🤝 Trabalhamos nas costelas como escultores em material que respira, respeitando o espaço aéreo dos pulmões enquanto silenciamos a dor das juntas do meio das costas. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.