⚡ Rizotomia de Coluna Cervical por Radiofrequência
> "Silenciando os fios elétricos que transmitem dor das facetas do pescoço, cauterizando com precisão milimétrica para não tocar na medula ou nas raízes vitais."
📋 O que é?
Procedimento minimamente invasivo de neurotomia por radiofrequência (RF) direcionado aos ramos mediais dos nervos espinhais cervicais — os pequenos fios sensitivos que inervam as articulações facetárias (apofisárias) do pescoço. Utilizando energia térmica controlada, destruímos seletivamente essas terminações nervosas, interrompendo o ciclo de dor crônica proveniente da artropatia facetária cervical.
As facetas cervicais são como dobradiças entre as vértebras, ricas em inervação sensitiva. Quando artríticas ou traumatizadas (latigagem cervical), tornam-se fontes de dor mecânica intensa que irradia para o occipital, ombro ou entreescápular. A rizotomia cervical atua como um disjuntor específico, desligando apenas os circuitos da dor sem afetar a força muscular ou a sensibilidade dos braços.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Dor cervical crônica (>3 meses) de origem facetária confirmada por bloqueios diagnósticos (anestésico nos ramos mediais com alívio temporário)
🎗️ Cervicalgia mecânica pós-traumática (síndrome da latigagem cervical persistente)
🎗️ Artrose facetária cervical sintomática sem compressão radicular ou medular
🎗️ Dor occipital suboccipital (C2-C3) refratária (cefaleia cervicogênica)
🎗️ Falha de tratamento conservador (fisioterapia, medicamentos, infiltrações intra-articulares)
🎗️ Contraindicação à cirurgia de fusão cervical ou como ponte terapêutica
🔧 Níveis e abordagens técnicas
🔍 Abordagem Posterior Clássica (C3-C7) Punção percutânea pelo ponto de entrada posterior, direcionada ao ponto de acesso dos ramos mediais na face lateral-articular das vértebras, abaixo da artéria vertebral.
🌊 Abordagem para Nervo Occipital Maior (C2) Tratamento específico do ramo dorsal de C2 para cefaleias cervicogênicas — acesso lateral mais superior, cuidado com a artéria occipital.
🎯 Técnica Bipolar versus Monopolar Eletrodos bipolares criam lesão mais focal entre as pontas; monopolar usa dispersivo externo — ambos efetivos, com preferência por controle térmico rigoroso (80°C/60-90s).
🔄 Rizotomia Pulsada Para casos onde há receio de destruição térmica (embora na cervical a térmica seja padrão devido à necessidade de lesão definitiva).
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral ou lateral, cabeça em posição neutra (sem rotação excessiva) fixada em apoio facial, aceso cervical posterior exposto.
2️⃣ Localização: Fluoroscopia em projeções AP e oblíquas (ajuste para visualizar as "janelas" entre processos articulares). Identificação do alvo facetário (geralmente C3-C4 a C6-C7, excluindo C7-T1 se risco de lesão do nervo torácico longo).
3️⃣ Inserção: Anestesia local cutânea, introdução da agulha de RF (22G com ponta ativa de 5mm) até o ponto de passagem do ramo medial no sulco entre o processo articular superior e inferior — confirmado por neuroestimulação (2-50 Hz reproduz dor, 0,5-2 Hz sem motor).
4️⃣ Confirmação: Teste sensorial reproduz dor cervical típica; teste motor negativo (sem contração de músculos profundos ou da escápula). Injeção de anestésico local (2-3 ml) antes da lesão para conforto e prevenção de reação vagal.
5️⃣ Lesionamento: Aquecimento a 80-90°C por 60-90 segundos por nível. Múltiplas lesões ao longo do trajeto do ramo medial (técnica em "degraus" ou "leque") para garantir cobertura da inervação variável.
⏱️ Duração: 30-60 minutos (ambulatorial).
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: Ambulatorial — alta após 1-2 horas de observação (vigilância especial para instabilidade hemodinâmica ou sintomas neurológicos).
🚶 Mobilização: Imediata — uso de colar cervical macio por 24-48h apenas para conforto (não imobilização rígida).
📅 Recuperação:
- Dor local no ponto de punção: 2-3 dias
- Exacerbação da dor ("flare-up"): comum na primeira semana (neurite de desaferentação cervical)
- Alívio significativo: 2-4 semanas
- Pico de benefício: 6-8 semanas
- Retorno às atividades: imediato para leves, 1-2 semanas para moderadas, 4-6 semanas para atividades de risco (esportes de contato)
🎯 Eficácia:
- Sucesso em 60-70% dos casos bem selecionados (redução >50% da dor)
- Duração: 6-18 meses (regeneração nervosa lenta na cervical)
- Possibilidade de reintervenção
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
A proximidade com a medula espinal, artéria vertebral e raízes nervosas exige precisão absoluta.
✅ Efeitos temporários:
- Dor local e rigidez cervical leve
- Parestesias no couro cabeludo (C2) ou ombro transitórias
- Sensação de "queimação" no pescoço
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Lesão da artéria vertebral (extremamente rara, mas catastrófica) — abortamento imediato, compressão, manejo de acidente vascular
- Lesão radicular (C5-C8) — fraqueza transitória do membro superior se agulha migrar anteriormente
- Lesão medular (rara com técnica correta posterior) — verificação rigorosa de profundidade
- Síndrome de Horner (lesão do gânglio estrelado) se muito proximal e anterior em C7-T1
- Ressonância vascular: verificação de posição da artéria vertebral pré-procedimento (anatomia variável em 5-10%)
✅ Conversamos previamente sobre:
- Que a estabilidade cervical não é comprometida (músculos e ligamentos preservados), mas dor residual pode indicar necessidade de fortalecimento muscular
- Necessidade de confirmação diagnóstica rigorosa com bloqueios prognósticos positivos antes do procedimento
- Risco de recorrência e possibilidade de tratamentos repetidos
- Sinais de alerta pós-procedimento: dormência nos braços, fraqueza, desvio de língua (artéria vertebral) — requerem avaliação emergencial
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Excelente opção para dor facetária cervical genuína confirmada, evitando fusão cervical em pacientes selecionados
🔹 Contraindicada se instabilidade cervical radiológica (espondilolistese), mielopatia compressiva, ou infecção ativa
🔹 Deve preceder consideração de cirurgia de artrodese — alívio da dor pode adiar ou evitar fusão
🔹 Cuidado especial em pacientes com artéria vertebral dominante unilateral (hipoplasia contralateral) — risco vascular aumentado
🤝 Navegamos pelas estruturas delicadas do pescoço com a precisão de um relojoeiro, silenciando a dor sem perturbar os cordões de vida que passam por ali. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
