⚡ Rizotomia de Articulações Sacroilíacas por Radiofrequência
> "Cauterizando silenciosamente os fios elétricos que gritam dor da base da coluna, apagando o sinal sem desmontar a estrutura articular."
📋 O que é?
Procedimento minimamente invasivo de desnervação percutânea guiada por imagem, direcionado aos nervos sensitivos que inervam a articulação sacroilíaca (ASI). Utilizando energia de radiofrequência (RF), coagulamos seletivamente os ramos laterais do quinto nervo lombar (L5) e os nervos cluneais sacros (S1-S3), interrompendo a condução dolorosa que origina nesta articulação.
A articulação sacroilíaca funciona como uma chave de fenda entre o sacro e o osso ilíaco — estrutura rica em inervação sensitiva, mas pobre em vascularização. Quando inflamada ou degenerada, envia sinais de dor refratários pela pelve e região glútea. A rizotomia não trata a articulação em si, mas desliga o telefone que transmite a mensagem de dor para o cérebro.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Dor crônica de origem sacroilíaca confirmada por diagnóstico de infiltração (bloqueio articular positivo com anestésico)
🎗️ Falha de tratamento conservador (fisioterapia, anti-inflamatórios) por mais de 3-6 meses
🎗️ Dor mecânica inferior à linha glútea, sem irradiação abaixo do joelho (diferente de ciática radicular)
🎗️ Artropatia sacroilíaca pós-parto, traumática (quedas sentadas) ou degenerativa (espondilose)
🎗️ Hipermobilidade da ASI (instabilidade pós-cirúrgica lombar ou pélvica)
🎗️ Contraindicação ou recusa à fusão sacroilíaca cirúrgica aberta
🔧 Técnicas e abordagens
🔍 Radiofrequência Convencional (Térmica) Agulhas ativas com ponta de 5-10 mm gerando calor (80-90°C) por 60-90 segundos, criando lesões neurotômicas controladas nos ramos sensitivos.
🌊 Radiofrequência Pulsada Energia emitida em pulsos sem aquecimento tecidual significativo — teoricamente menos lesiva para tecidos adjacentes, embora a eficácia seja controversa comparada à térmica.
🎯 Abordagem Bilateral Sequencial Tratamento de ambas as ASIs em sessões separadas (se bilateralidade sintomática) ou simultâneo se tolerável.
🔄 Associação com Infiltração Articular Bloqueio diagnóstico prévio obrigatório para confirmar origem sacroilíaca da dor — alguns protocolos associam corticoide intra-articular à rizotomia.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral com almofada sob o abdome para reduzir a lordose lombar, exposição da região glútea e sacral.
2️⃣ Localização: Fluoroscopia em projeções oblíquas e laterais identifica os forames sacros e a articulação L5-S1. Mapeamento dos trajetos nervosos na face dorsal do sacro.
3️⃣ Inserção: Agulhas de RF introduzidas percutaneamente através do tecido subcutâneo até os alvos nervosos: ramos laterais de L5 (próximo à base da transição lombossacra) e nervos cluneais sacros (forames sacros posteriores S1-S3).
4️⃣ Confirmação: Estimulação sensorial (2-50 Hz) reproduz a dor habitual do paciente sem contração motora (0,5-2 Hz), confirmando posicionamento sensitivo correto. Anestésico local injetado antes da lesão.
5️⃣ Lesionamento: Aquecimento a 80-90°C por 60-90 segundos por nível, criando lesões ovais de neurotomia. Múltiplas posições radiais (relojio) cobrem a inervação articular variável.
⏱️ Duração: 30-45 minutos (ambulatorial).
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: Ambulatorial — alta após observação de 1-2 horas.
🚶 Mobilização: Imediata — caminha normalmente para casa, sem restrições de decúbito.
📅 Recuperação:
- Dor local no ponto de punção: 2-3 dias (geralmente leve)
- Exacerbação da dor (flare-up): comum na primeira semana (neurite de desaferentação)
- Início de alívio: 2-4 semanas (tempo para a neurotomia consolidar e nervos silenciarem)
- Pico de benefício: 6-8 semanas
- Retorno às atividades: imediato para leves, 1 semana para moderadas, 2-3 semanas para pesadas
🎯 Durabilidade:
- Efeito dura 6-12 meses (nervos regeneram-se lentamente)
- Pode ser repetida se recorrência sintomática
- Taxa de sucesso: 60-80% de melhora significativa (>50% redução da dor)
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Procedimento seguro quando bem indicado, mas exige precisão anatômica para evitar complicações.
✅ Efeitos temporários:
- Dor de transição nas primeiras 48-72 horas
- Parestesias no território glúteo (raramente persistentes)
- Hematoma subcutâneo autolimitado
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Lesão de raiz motora (L5, S1) — extremamente rara com técnica correta, mas causa fraqueza transitória do glúteo ou pé
- Infecção cutânea ou profunda — rara (<1%)
- Falha técnica por anatomia variável (nervos sacros ausentes ou anômalos)
- Neurite persistente (dor em área anestésica) — rara, tratável com medicamentos neuropáticos
✅ Conversamos previamente sobre:
- Que o procedimento trata a dor, não a causa estrutural (artrose continua presente)
- Necessidade de confirmação diagnóstica rigorosa (bloqueio articular positivo) antes da rizotomia — sem isso, resultados são imprevisíveis
- Possibilidade de necessidade de múltiplos procedimentos ao longo dos anos
- Limitação: não trata dor radicular verdadeira (ciática por hérnia discal)
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Excelente opção para dor sacroilíaca genuína refratária, evitando cirurgia maior
🔹 Custo-benefício favorável comparado à fusão sacroilíaca (menor morbidade, reabilitação nula)
🔹 Contraindicada se instabilidade mecânica grave (pode mascarar necessidade de estabilização cirúrgica)
🔹 Deve preceder consideração de fusão SI — alívio da dor pode adiar ou evitar cirurgia definitiva
🤝 Desligamos temporariamente os fios que transmitem a queixa da articulação sacra, oferecendo uma pausa no ciclo de dor enquanto o corpo busca novos equilíbrios. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
