🥊 Ressecção de Contusão Temporal

🥊 Ressecção de Contusão Temporal

> "Evacuando o hematoma ameaçador que espreme o tronco encefálico, retirando o tecido machucado que sangra e incha, abrindo espaço para o cérebro respirar novamente."


📋 O que é?

Procedimento neurocirúrgico de emergência para remoção de tecido cerebral temporal contundido (machucado) e hematomas associados após trauma cranioencefálico fechado ou penetrante. A contusão temporal é particularmente perigosa devido à proximidade com o tronco encefálico e a possibilidade de herniação uncinada (uncus do temporal empurrado para baixo).

É como abrir uma janela em uma casa em chamas — removemos o tecido necrosado que causa edema e hipertensão intracraniana, criando espaço para que o resto do cérebro não seja esmagado contra o osso rígido da tenda do cerebelo.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Contusão temporal com hematoma > 30-50 ml em paciente com alteração do nível de consciência

🎗️ Espessamento da fissura temporal ou desvio do tronco > 5 mm (sinais de herniação iminente)

🎗️ Hipertensão intracraniana refratária (> 20-25 mmHg) a medidas conservadoras

🎗️ Pupila anisocórica (dilatação unilateral) sugestiva de compressão do nervo oculomotor por herniação uncinada

🎗️ Deterioração neurológica aguda (queda do GCS > 2 pontos) mesmo com hematoma menor

🎗️ Contusão "blow-out" temporal com sangramento ativo visível na tomografia


🔧 Extensões do procedimento

🔍 Ressecção Temporal Anterior Limitada Remoção do pólo temporal (3-4 cm) e contusão, preservando estruturas profundas se possível.

🌊 Lobectomia Temporal Completa Em casos de destruição massive, remoção do lobo temporal anterior e médio.

🎯 Craniectomia Decompressiva Frontotemporal Associada à ressecção, remoção do osso temporal e parietal para expansão externa do cérebro.

🔄 Fascectomia Temporal Abertura da dura-máter e fáxia (tenda do cerebelo) para descompressão, com ou sem ressecção tecidual.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Supino urgente, rotação cervical 30-45° para o lado oposto, rapidez é essencial (tempo cerebral).

2️⃣ Acesso: Incisão em question mark (ponto de interrogação) frontotemporal, craniotomia ou craniectomia (remoção do osso sem reposição imediata) ampla, abertura dural em estrela.

3️⃣ Evacuação: Aspiracao do hematoma extradural, subdural ou intraparenquimatoso, coagulação de vasos sangrantes na superfície contundida.

4️⃣ Ressecção: Remoção do tecido temporal necrosado (enxaguatório, não viável) até tecido sanguinante viável, cuidado com a artéria cerebral média no sulco lateral.

5️⃣ Descompressão: Dura-máter aberta (patch de duraplástia se necessário), osso não reposicionado (craniectomia) se edema cerebral severo, fechamento da pele sobre drenos.

⏱️ Duração: 2 a 4 horas (urgência).


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: UTI pós-operatório prolongada (semanas), ventilação mecânica frequentemente necessária inicialmente.

🚶 Mobilização: Lenta — semanas para desmame de sedativos e extubação, depois reabilitação intensiva.

📅 Recuperação:

  • Memória de curto prazo: frequentemente afetada (hipocampo temporal envolvido)
  • Fala (se dominante): disfasia de Wernicke possível se giro temporal superior afetado
  • Força contralateral: hemiparesia possível se área motora adjacente edemaciada
  • Personalidade: alterações comportamentais temporais
  • Retorno às atividades: 6-12 meses (reabilitação neurocirúrgica intensiva)

🎯 Realidades pós-trauma:

  • Sequelas neurológicas frequentes proporcionais à gravidade inicial
  • Risco de epilepsia pós-traumática (30-50%)
  • Possível necessidade de cranioplastia (reposição do osso) meses depois

🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Cirurgia de emergência com alta mortalidade/morbidade, mas frequentemente a única chance de vida.

Efeitos temporários:

  • Edema cerebral massivo pós-operatório (requer manejo agressivo de PIC)
  • Convulsões no pós-operatório imediato
  • Febre de sítio central (dano hipotalâmico)

Nossa equipe está preparada para:

  • Rebleeding (ressangramento) — reintervenção emergencial
  • Infecção cerebral (abscesso ou meningoencefalite) — antibioticoterapia
  • Hidrocefalia comunicante pós-hemorragia — derivação tardia
  • Síndrome de desmame difícil — traqueostomia e ventilação prolongada

Conversamos previamente sobre:

  • Que a cirurgia é vitais, mas não garante qualidade de vida — prognóstico reservado
  • Possibilidade de estado vegetativo persistente ou déficits graves
  • Necessidade de cuidados paliativos se evolução desfavorável
  • Apoio familiar e psicológico durante reabilitação longa

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Indicação frequentemente imediata e vital — decisão baseada em sinais de herniação ou hipertensão intracraniana

🔹 Alternativa: tratamento conservador intensivo (coma barbitúrico, hipotermia) apenas se contusão pequena e paciente estável

🔹 Craniectomia versus craniotomia: decisão intraoperatória baseada no grau de edema cerebral


🤝 Atuamos contra o relógio para evitar que o lobo temporal esmague o tronco vital, aceitando que salvamos a vida mas modificamos o rosto da personalidade e memória. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.