📊 Monitorização de Pressão Intracraniana (PIC)

📊 Monitorização de Pressão Intracraniana (PIC)

> "Instalando um sentinela eletrônico dentro do crânio, traduzindo em números o pulso da complacência cerebral e avisando antes que a pressão esmague a perfusão."


📋 O que é?

Procedimento para inserção de cateter ou sensor que mede continuamente a pressão dentro do crânio (pressão intracraniana — PIC). O cérebro, líquor e sangue ocupam um compartimento rígido; qualquer aumento desproporcional eleva a pressão, comprometendo o fluxo sanguíneo e causando danos isquêmicos ou herniação.

É como instalar um manômetro no tanque de um carro — monitoramos em tempo real (exibido em monitor multiparâmetro) para detectar picos perigosos (> 20-25 mmHg) que exigem intervenção imediata (osmoterapia, posicionamento, hipotermia, ou cirurgia decompressiva).


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Traumatismo cranioencefálico grave (GCS ≤ 8) com CT anormal (hematoma, contusão, edema)

🎗️ TCE grave com CT normal mas dois ou mais fatores de risco (idade > 40, pressão arterial < 90, postura em decerebração)

🎗️ Hemorragia subaracnoide (HSA) com risco de hidrocefalia ou vasoespasmo

🎗️ Hemorrágia intracerebral massiva com risco de edema

🎗️ Hidrocefalia aguda obstrutiva pré-derivacao

🎗️ Edema cerebral maligno pós-craniotomia ou infarto cerebral extenso

🎗️ Monitoramento terapêutico (barbitúricos, hipotermia) — avaliando eficácia


🔧 Tipos de monitor

🔍 Cateter Intraparenquimatoso (Fibra Óptica) Inserido no parênquima cerebral (frequentemente frontal direito, área não dominante). Fácil inserção, baixo risco, mas mede pressão local (pode não refletir global se hematoma distante).

🌊 Cateter Ventricular Externo (CVE) Inserido no ventrículo lateral — padrão ouro. Permite monitoramento E drenagem terapêutica do líquor, mas risco maior de infecção e hemorragia.

🎯 Sensor Epidural Entre crânio e dura — menor invasividade, mas menos preciso (mede pressão de forma transdural).

🔄 Sensor Subdural ou Intraparenquimatoso Microtransdutor Miniaturizado, inserção percutânea, boa precisão para monitoramento prolongado.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Supino, cabeça neutra (elevação 30° após inserção), campo cirúrgico estéril.

2️⃣ Acesso: Ponto de entrada de Kocher (2-3 cm lateral da linha média, anterior à coronal para ventrículo; ou mais lateral para parênquima), anestesia local com sedação ou geral.

3️⃣ Inserção: Pequena incisão, buraco de trepanação (ou broca), passagem do cateter através da dura-máter:

  • Ventricular: direcionado ao ventrículo lateral (ângulo traqueostômico), fluxo de líquor confirma posição.
  • Parenquimatoso: parafuso de fixação no crânio, inserção do sensor fibra óptica 2 cm no cérebro.

4️⃣ Conexão: Conexão ao transdutor e monitor multiparâmetro, calibração zero (externa para fibra óptica, interna para ventricular), fixação com sutura.

5️⃣ Cuidados: Curativo estéril, sistema fechado, profilaxia antibiótica durante permanência do cateter.

⏱️ Duração: 20-30 minutos (bedside ou sala de cirurgia).


🌱 O que esperar da monitorização?

🏥 Internação: UTI obrigatória enquanto monitor ativo.

🚶 Mobilização: Limitada — cabeça elevada 30°, evitar flexão cervical ou rotação que eleve PIC.

📅 Monitoramento:

  • Leitura contínua de PIC (normal: 5-15 mmHg; patológica: > 20 mmHg)
  • Pressão de perfusão cerebral (PPC = PA média - PIC) mantida > 60 mmHg
  • Ondas de Lundberg (picos plênticos) indicam má complacência
  • Permanência: 3-7 dias (mais tempo aumenta risco de infecção)

🎯 Intervenções baseadas nos números:

  • Elevação aguda: manitol ou solução salina hipertônica, hiperventilação temporária (cuidado com vasoconstrição)
  • PIC persistentemente alta: considerar craniectomia decompressiva

🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Procedimento minimamente invasivo, mas não isento de riscos graves.

Efeitos temporários:

  • Dor local no ponto de entrada
  • Pequeno hematoma couro cabeludo
  • Desconforto com movimentação (cateter ventricular precisa de nível fixo)

Nossa equipe está preparada para:

  • Hemorragia intracerebral (ao passar o cateter) — raro, mas exige controle
  • Infecção (ventriculite/meningite) — risco aumenta após 5 dias (5-15%)
  • Mal posicionamento (não captar líquor ventricular) — reposicionamento ou conversão para parênquimatoso
  • Oclusão do cateter (coágulo ou tecido) — troca ou remoção
  • Herniação cerebelar por drenagem excessiva rápida (CVE) — controle rigoroso da altura do sistema

Conversamos previamente sobre:

  • Que é procedimento paliativo/diagnóstico, não curativo — trata a consequência, não a causa
  • Necessidade de sedação frequente para tolerância do cateter
  • Risco de infecção aumenta com tempo de permanência
  • Limitações: PIC é pressão global; hematomas focados podem não alterar PIC inicialmente

⚖️ Tomada de decisão

🔹 TCE grave: monitoramento recomendado por guidelines internacionais (Brain Trauma Foundation)

🔹 HSA: CVE preferido (permite drenagem de sangue e tratamento de hidrocefalia)

🔹 Coagulopatia: corrigir antes da inserção (risco de hematoma significativo)

🔹 Remoção: quando PIC normalizada por > 24-48h sem necessidade de terapia específica e risco de complicações supera benefício


🤝 Instalamos um guardião numérico que nos sussurra os segredos da pressão cefálica, permitindo agir antes que o cérebro sofra o golpe final da herniação. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.