✂️ Liberação de Diastematomielia com Ressecção do Septo
> "Separando o que nunca deveria ter estado unido, liberando a medula que nasceu presa por uma barreira óssea ou fibrosa."
📋 O que é?
Cirurgia para tratar a diastematomielia — malformação congênita rara onde a medula espinhal está dividida em dois hemicordões por um septo (parede) ósseo ou fibroso que atravessa o canal espinhal.
É como se a medula tivesse nascido com uma "parede divisória" no meio, puxando-a para baixo (síndrome da medula presa) e causando déficits neurológicos progressivos.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Diastematomielia com sintomas neurológicos progressivos (dor, fraqueza)
🎗️ Alterações da função da bexiga ou intestino
🎗️ Deformidades dos pés (pes cavus, marcha anormal)
🎗️ Dor de coluna persistente ou escoliose progressiva
🎗️ Medula presa associada (tethered cord)
🔧 Tipos de abordagem
🦴 Ressecção do Septo Ósseo Remoção da barreira óssea que divide a medula — técnica mais complexa devido à dureza do osso próximo à medula.
🧵 Ressecção do Septo Fibroso Remoção de barreira de tecido fibroso (cole bande) — mais maleável, menor risco.
🌊 Liberação com Duraplastia Após remover o septo, ampliação da duramáter para acomodar a medula livre.
🧠 Com Monitoramento Neurofisiológico Essencial para diferenciar o septo dos hemicordões durante a ressecção.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Acesso Posterior: Incisão sobre a coluna torácica ou lombar (conforme nível da malformação).
2️⃣ Exposição: Visualização do septo que emerge da dura-máter e divide o canal.
3️⃣ Identificação: Cuidadosa diferenciação entre o septo (estrutura anormal) e os hemicordões (tecido nervoso funcional).
4️⃣ Ressecção: Remoção completa do septo, liberando os dois hemicordões para se unirem funcionalmente.
5️⃣ Duraplastia: Fechamento ampliado da dura-máter para criar espaço suficiente.
⏱️ Duração: 3 a 5 horas.
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: 3 a 7 dias.
📅 Recuperação:
- Repouso inicial para cicatrização da duramáter
- Fisioterapia para fortalecimento muscular
- Acompanhamento urológico (função da bexiga)
- Retorno às atividades normais: 4 a 8 semanas
🎯 Objetivo: Estabilização — impedir que piore. Recuperação de função já perdida é variável.
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Cirurgia em malformação congênita rara que exige experiência em neurocirurgia pediátrica/espinha.
✅ Efeitos observados:
- Dor local da cirurgia
- Possível piora transitória da função (edema pós-operatório)
- Alterações na sensibilidade
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Lesão dos hemicordões (rara, prevenida com monitoramento neurofisiológico contínuo)
- Lesão de raízes nervosas
- Fístula liquórica (fechamento cuidadoso em camadas)
- Recorrência (re-formação do septo — extremamente rara)
- Instabilidade vertebral (prevenida com preservação das facetas)
✅ Conversamos previamente sobre:
- Natureza congênita da condição (presente desde o nascimento)
- Que a cirurgia visa principalmente estabilizar (parar a progressão)
- Possibilidade de necessidade de liberação adicional futura se houver re-aderência (tethering recorrente)
- Acompanhamento de longo prazo (crescimento pode causar novo estiramento)
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Indicação clara em diastematomielia sintomática ou progressiva
🔹 Profilática em alguns casos assintomáticos se há risco de deterioração com crescimento
🔹 Timing frequentemente na infância quando sintomas aparecem, mas pode ser em adultos
🔹 Requer investigação completa (ressonância de coluna total) pois frequentemente há outras anomalias associadas
🤝 Removemos a barreira que dividiu a medula desde o nascimento, permitindo que as duas metades dancem em uníssono novamente. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
