🌊 Derivação Lombar Externa (DLE)
> "Instalando uma válvula temporária de escape para o líquor, desviando a pressão do ventrículo para fora do corpo enquanto aguardamos a resolução da obstrução ou a decisão pela derivação definitiva."
📋 O que é?
Procedimento para inserção de cateter no espaço subaracnoideo lombar (canal espinhal) conectado a um sistema de drenagem externa fechada. Permite remoção controlada de líquor cefalorraquidiano (LCR) para tratamento temporário de hidrocefalia ou hipertensão intracraniana.
Funciona como abrir uma torneira de escape em um reservatório pressurizado — drenamos líquor para um sistema externo ao nível ajustável, reduzindo a pressão dentro do crânio e ventrículos, sem a necessidade de cirurgia cerebral invasiva imediata.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Hidrocefalia aguda obstrutiva temporária (tumor, sangue, infecção) enquanto aguarda tratamento definitivo
🎗️ Fístula liquórica de base de crânio (reduzir fluxo e permitir cicatrização espontânea)
🎗️ Hidrocefalia pós-hemorragia subaracnoide (HSA) — drenagem externa temporária
🎗️ Profilaxia de vazamento pós-cirurgia de base de crânio (tumores ou aneurismas)
🎗️ Hipertenção intracraniana benigna (pseudo-tumor cerebral) refratária a medicamentos
🎗️ Monitoramento de pressão liquórica e composição do LCR (diagnóstico de meningite, SAH, etc.)
🔧 Configurações de drenagem
🔍 Drenagem Contínua ao Nível Zero Cateter conectado a coletor graduado — fluxo passivo quando pressão intracraniana > pressão hidrostática da coluna de líquor no sistema (geralmente 10-15 cm acima do ouvido).
🌊 Drenagem Intermitente por Punção Não deixa cateter permanente — punções lombares seriadas (menor risco de infecção, menor conforto).
🎯 Drenagem por Sifão ou Bomba Externa Sistemas com válvula de controle de fluxo ou bomba de infusão para drenagem ativa (uso raro, cuidadoso).
🔄 Monitorização de Pressão Associada Transdutor conectado ao cateter para monitorar pressão de perfusão além de drenar.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito lateral com flexão lombar (posição fetal) ou sentado (menor risco de punção traumática), esterilização rigorosa da região lombar.
2️⃣ Punção: Anestesia local, introdução da agulha de Tuohy (14G ou 16G) entre vértebras lombares baixas (L3-L4, L4-L5 — abaixo da medula), confirmação de refluxo de líquor claro.
3️⃣ Passagem do Cateter: Introdução do cateter flexível de poliuretano ou silicone através da agulha 10-15 cm no espaço subaracnoideo, remoção da agulha, fixação com adesivo e sutura.
4️⃣ Conexão: Sistema fechado conectado ao cateter, câmara de gotejamento, coletor estéril, fixação em suporte ao nível desejado (geralmente 10-15 cm acima do plano do ouvido externo).
5️⃣ Monitoramento: Aferição da pressão de abertura inicial, registro da quantidade drenada (almoxarifado), análise do líquor (citológica, bioquímica, cultura).
⏱️ Duração: 20-40 minutos (bedside).
🌱 O que esperar da drenagem?
🏥 Internação: Enfermaria ou UTI conforme gravidade — paciente acamado com cabeceira elevada 30°.
🚶 Mobilização: Limitada — evitar movimentos bruscos que desloquem o cateter ou alterem a pressão de drenagem.
📅 Monitoramento:
- Volume drenado: objetivo geralmente 100-200 ml/dia (evitar hipotensão liquórica)
- Aspecto do líquor: claro, xantocrômico (amarelado — sangue antigo), turvo (infecção?)
- Pressão de abertura e evolução
- Permanência: geralmente 3-5 dias (máximo 7-10 dias devido a risco de infecção)
🎯 Sinais de sucesso:
- Melhora do nível de consciência (se hidrocefalia)
- Cessação do vazamento nasal/otic (se fístula)
- Redução da cefaleia (se hipertensão intracraniana)
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Procedimento relativamente seguro, mas com riscos específicos de infecção e complicações neurológicas.
✅ Efeitos temporários:
- Dor lombar local
- Cefaleia pós-punção (hipotensão liquórica) — melhora deitado, piora em pé
- Parestesias nas pernas (irritação de raízes nervosas) — transitórias
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Infecção (meningite bacteriana) — risco aumenta após 5 dias (5-10%)
- Hematoma subdural ou epidural lombar (sangramento pelo trauma da agulha) — raro, mas exige neurocirurgia se compressivo
- Herniação do tronco encefálico (coning) — se drenar demais em paciente com massa intracraniana (contraindicação absoluta de DLE se lesão ocupando espaço)
- Bloqueio do cateter (coágulo ou debris) — troca ou remoção
- Rupture do cateter (raro, fragmento retido)
✅ Conversamos previamente sobre:
- Contraindicações absolutas: lesão ocupando espaço intracraniano (risco de herniação), infecção cutânea local, coagulopatia não corrigida
- Que é medida temporária — se hidrocefalia persistir, derivação definitiva (VP ou LP) será necessária
- Necessidade de posicionamento fixo do sistema de drenagem (nível em relação ao ouvido)
- Risco de hipotensão liquórica com cefaleia intensa se drenagem excessiva
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Excelente alternativa temporária à derivação ventriculoperitoneal (DVP) em hidrocefalia aguda
🔹 Preferida sobre punções seriadas (maior conforto, monitorização contínua)
🔹 Contraindicada se houver suspensão de massa intracraniana (usar monitor ventricular externo ao invés)
🔹 Remoção quando: resolução da causa (tumor removido, sangue absorvido), falha após 7-10 dias (indica derivação definitiva), ou complicação
🤝 Abrimos uma torneira de escape na coluna para aliviar a pressão que ameaça o cérebro, sabendo que é uma solução temporária até que as águas encontrem seu curso natural novamente. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
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