🕳️ Correção de Afundamento de Crânio
> "Elevando o segmento ósseo que cedeu sob a pressão, devolvendo o contorno natural à calota e protegendo o cérebro que pulsa abaixo da depressão."
📋 O que é?
Procedimento para correção de deformidade craniana onde um segmento ósseo está afundado (deprimido) em relação ao contorno normal do crânio, geralmente após trauma com fratura em batida de enxada (depressed skull fracture) ou complicação de craniectomia prévia (sinking skin flap).
O osso pode estar afundado devido à pressão do impacto inicial (batida de enxada) ou pela pressão atmosférica sobre o cérebro quando falta osso (síndrome do cérebro em queda pós-craniectomia). Em ambos os casos, há risco de compressão cerebral, convulsões e defeito estético significativo.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Fratura deprimida > espessura do crânio (geralmente > 5-10 mm) com ou sem comprometimento neurológico
🎗️ Afundamento ósseo sobre área eloquente (próximo a áreas de fala ou motricidade) com déficits neurológicos
🎗️ Indicações cosméticas significativas quando o defeito é visível e causa sofrimento psicológico
🎗️ Ferimento contaminado com osso deprimido (requer limpeza e elevação)
🔧 Técnicas de correção
🔍 Elevação do Fragmento Ósseo (Osteoclasia) Para fraturas recentes não cominutivas — elevação do fragmento através de buracos adjacentes, fixação com micro-placas.
🌊 Remoção e Reposição do Osso (Craniotomia de Reconstrução) Retirada do segmento deprimido, remodelação fora do campo cirúrgico, e reposição fixada.
🎯 Cranioplastia com Material Sintético Quando o osso está fragmentado demais ou contaminado — substituição por titânio, PEEK ou metacrilato moldado.
🔄 Descompressão Simultânea Se houver edema cerebral subjacente à fratura deprimida — craniectomia com elevação do osso e dura aberta.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Supino ou conforme localização do defeito, fixação craniana se necessário, tricotomia local.
2️⃣ Acesso: Incisão sobre a área deprimida (frequentemente cicatriz pré-existente se pós-trauma), exposição do osso fraturado ou da área de craniectomia.
3️⃣ Liberação: Dissecção cuidadosa da dura-máter aderida ao osso ou à pele (no caso de sinking flap), liberação das bordas do fragmento ósseo.
4️⃣ Correção: Elevação mecânica do osso (instrumentos de alavanca) ou remoção completa para bancada de remodelação. Se osso próprio utilizado, fixação com mini-placas de titânio. Se protético, modelagem e fixação.
5️⃣ Fechamento: Verificação de hemostasia, drenos subgaleais, fechamento em camadas, curativo compressivo.
⏱️ Duração: 2 a 3 horas.
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: 24-48 horas.
🚶 Mobilização: Imediata — sem restrições específicas além das do trauma associado.
📅 Recuperação:
- Dor local: moderada, controlada com analgésicos
- Edema periorbitário se fronte envolvida: 1-2 semanas
- Melhora imediata da pressão local (alívio da cefaleia se síndrome do cérebro em queda)
- Cicatrização óssea: 6-12 semanas
- Retorno às atividades: 4-6 semanas (proteção da cabeça)
🎯 Benefícios:
- Proteção mecânica restaurada (risco de lesão cerebral por trauma direto eliminado)
- Melhora estética imediata
- Prevenção de convulsões por irritação cortical (epilepsia pós-traumática)
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Procedimento geralmente seguro, mas com riscos específicos de reoperação craniana.
✅ Efeitos temporários:
- Dor de cabeça local
- Parestesias no couro cabeludo
- Edema facial se fratura frontal
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Hematoma epidural subjacente (ao elevar o osso, sangramento venoso) — drenagem imediata
- Infecção (osteomielite) — especialmente se trauma prévio contaminado
- Falha da fixação (fragmento voltar a afundar) — reoperação rara
- Convulsões por manipulação cortical — profilaxia antiepiléptica
- Lesão do seio sagital (se fratura próxima à linha média) — sangramento controlável
✅ Conversamos previamente sobre:
- Que osso removido e reposto pode necrosar (osteonecrose) exigindo cranioplastia tardia
- Em crianças, o crânio tem capacidade de remodelação espontânea — afundamentos < 5 mm podem não precisar cirurgia
- Síndrome do cérebro em queda pós-craniectomia: correção apenas quando hidrocefalia tratada e edema resolvido
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Fraturas deprimidas sintomáticas ou > 1 cm de profundidade: indicação cirúrgica clara
🔹 Fraturas assintomáticas < 5 mm: observação, especialmente em crianças
🔹 Síndrome do cérebro em queda: timing da correção crucial — apenas após normalização da pressão intracraniana
🔹 Considerações estéticas válidas mesmo sem comprometimento neurológico (impacto psicológico significativo)
🤝 Restauramos o contorno da cabeça como escultores reconstruindo uma abóbada caída, protegendo novamente o santuário neural. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
