💉 Bloqueio Transforaminal Lombar (BTF)
> "Injetando o remédio exatamente onde a raiz nervosa comprimida chora por socorro, lavando a inflamação na entrada do túnel onde a hérnia aperta."
📋 O que é?
Procedimento de infiltração guiada por imagem (fluoroscopia ou tomografia) onde introduzimos anestésico local e corticoide diretamente no forame intervertebral lombar — o túnel de saída onde a raiz nervosa (L2 a S1) abandona a coluna. Diferente do bloqueio epidural comum que fica no espaço geral, o transforaminal é um "tiro cirúrgico" preciso no ponto exato da inflamação.
Quando uma hérnia discal ou estenose do forame comprime uma raiz, gera-se inflamação local com liberação de mediadores químicos que "sensibilizam" o nervo, tornando-o doloroso mesmo à leve pressão. O BTF deposita potentes anti-inflamatórios (corticoides de longa duração) diretamente no foco, "lavando" a raiz e reduzindo o edema perineural, permitindo que o nervo deslize livremente novamente.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Ciática (radiculopatia lombar) aguda ou subaguda por hérnia discal com compressão foraminal visível
🎗️ Estenose do forame intervertebral (estenose lateral) com dor radicular refratária
🎗️ Dor radicular pós-cirurgia (falha de cirurgia lombar prévia) — "ciática de recorrência"
🎗️ Síndrome pós-laminectomia com fibrose epidural e radiculite
🎗️ Dor radicular isolada sem indicação cirúrgica imediata (ponte terapêutica)
🎗️ Diagnóstico diferencial (confirmar se a dor é realmente radicular versus facetária)
🔧 Níveis e abordagens
🔍 Abordagem Subpedicular Clássica (Segura) Agulha introduzida pelo lado afetado, abaixo do pedículo (teto do forame), no "6 horas" do forame (visão em relógio), evitando a artéria radicular.
🌊 Abordagem Retrodiscal (Kambin) Via mais medial, através do espaço epidural lateral, para hérnias intraforaminais inclusas.
🎯 Abordagem Supraneural ("Safe Triangle") Entrada acima da raiz nervosa, no triângulo formado pelo pedículo, raiz e processo articular — técnica mais segura vascularmente.
🔄 Bloqueio de Nervo Dorsal do Ramo (Selectivo) Quando a dor é facetária mas com componente radicular confuso — diferenciação diagnóstica.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral ou lateral (lado doloroso para cima), apoio sob o abdome para reduzir a lordose lombar.
2️⃣ Localização: Fluoroscopia oblíqua (15-25 graus) até visualizar o "Scotty Dog" (silhueta do pedículo como orelha do cachorro). O forame é a "cabeça" do cachorro.
3️⃣ Inserção: Anestesia local cutânea, agulha espinhal de 22G ou 25G ( Quincke ou Whitacre) introduzida no trajeto subpedicular, avançando até o ponto médio do forame.
4️⃣ Confirmação:
- Aspiração negativa: Sem sangue (evitar injeção intravascular) nem líquor (evitar injeção subaracnoidea)
- Contraste: 0,5-1 ml de contraste iodado não-iônico mostrando o padrão "batimento de asas" (espalhamento ao redor da raiz) sem vascularização (linha escura = artéria)
- Estimulação elétrica (opcional): Confirmar proximidade da raiz (parestesias no membro inferior)
5️ção:** Injeção lenta de 1-2 ml de anestésico (bupivacaína ou ropivacaína) + 40-80 mg de corticoide (triancinolona ou metilprednisolona).
⏱️ Duração: 15-30 minutos.
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: Ambulatorial — alta após 30-60 minutos de observação (vigilância para bloqueio inadvertido de nervo motor ou vascular).
🚶 Mobilização: Imediata — sem restrições específicas, mas evitar esforço intenso no primeiro dia.
📅 Recuperação:
- Alívio imediato: devido ao anestésico (dura 4-6h) — "janela dourada"
- Retorno da dor: 24-48h (efeito do anestésico passa)
- Início do efeito do corticoide: 3-7 dias (redução da inflamação)
- Pico de benefício: 1-2 semanas
- Duração do efeito: semanas a meses (variável)
🎯 Resultados:
- Sucesso em 70-90% dos casos agudos (hérnia discal recente)
- Menor eficácia em estenose crônica severa ou fibrose pós-cirúrgica extensa
- Pode ser repetido (até 3-4 vezes/ano por nível)
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
O risco mais temido é a injeção intravascular (artéria radicular ou Adamkiewicz) ou subaracnoidea.
✅ Efeitos temporários:
- Aumento temporário da dor radicular (irritação do nervo) — "flare-up"
- Rubor facial e palpitações (absorção sistêmica do corticoide) — passageiro
- Dor local na costa/glútea
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Bloqueio subaracnoideo total ("heavy block") — queda de pressão, paralisia temporária dos membros inferiores, risco respiratório se alto — suporte hemodinâmico e ventilatório até reversão
- Injeção intravascular (artéria de Adamkiewicz ou ramo radicular) — convulsão imediata (toxicidade do anestésico), acidente vascular medular (paraplegia rara) — uso de contraste obrigatório para excluir vascularização
- Hematoma epidural ou retroperitoneal (lesão de vaso) — raro, mas vigilância rigorosa
- Infecção (abscesso epidural) — raro (<0,1%), profilaxia antibiótica
✅ Conversamos previamente sobre:
- Que o efeito é temporário (o corticoide não cura a hérnia, apenas reduz a inflamação)
- Possibilidade de necessidade de repetição ou progressão para cirurgia se falha
- Sinais de alerta pós-procedimento: fraqueza súbita nas pernas, perda de controle de esfíncteres, dor lombar intensa com febre — exigem avaliação emergencial
- Limite de frequência: intervalo mínimo de 2-3 meses entre injeções no mesmo nível
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Primeira linha para ciática aguda antes de consideração cirúrgica (exceto emergências como síndrome cauda equina)
🔹 Contraindicada se síndrome cauda equina (urgência cirúrgica), infecção cutânea ativa, ou insuficiência de coagulação não corrigida
🔹 Cuidado especial à esquerda em L2-L4 (artéria de Adamkiewicz frequentemente neste lado) — técnica supraneural preferida
🔹 Associação com fisioterapia ativa após alívio da dor aguda essencial para prevenção de recidiva
🤝 Depositamos o remédio com precisão de arqueiro no olho da agulha onde o nervo sofre, oferecendo alívio químico preciso enquanto a natureza tenta reabsorver o disco herniado. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
