🦵 Bloqueio do Tronco Simpático Lombar
> "Bloqueando a central de aquecimento dos vasos das pernas no retroperitônio profundo, trazendo sangue quente de volta aos pés frios e dormentes."
📋 O que é?
Procedimento de infiltração guiada por imagem (fluoroscopia, TC ou ultrassom) direcionado à cadeia ganglionar simpática lombar — cordão nervoso que percorre a face anterolateral das colunas lombares L2-L4 (ocasionalmente L1-L5), localizada no espaço retroperitoneal, anterior aos corpos vertebrais e aos músculos posas, posterior ao peritônio parietal, próxima à aorta abdominal (esquerda) e veia cava inferior (direita).
Esta cadeia funciona como o "termostato" do sistema nervoso simpático para os membros inferiores, controlando o tônus vascular, a sudorese e a inervação sensitiva dos vasos. Quando hiperativa (em doenças vasculares periféricas ou neuropatias dolorosas), causa vasoconstrição persistente, isquemia e dor em queimação nos pés. O bloqueio deposita anestésico (ou neurolytico) ao longo desta cadeia, dilatando os vasos periféricos e interrompendo o ciclo de dor isquêmica.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Síndrome da Dor Regional Complexa (SDRC) tipo I e II do membro inferior (pé "zumbi" após fraturas, cirurgias ou traumas)
🎗️ Doença arterial periférica (arteriosclerose obliterante) com claudicação ou dor em repouso não operável — melhora do fluxo colateral
🎗️ Doença de Buerger (tromboangeíte obliterante) — vasculite dos fumantes
🎗️ Neuropatia periférica dolorosa (pés diabéticos, alcoólicos) — alívio da dor ardente
🎗️ Hiperhidrose plantar severa (suor excessivo nos pés)
🎗️ Coccigodinia simpática (dor no cóccix de origem autonômica)
🎗️ Dor pós-herpética lombar (zoster do membro inferior)
🎗️ Fenômeno de Raynaud dos membros inferiores (raro, mas incapacitante)
🔧 Abordagens técnicas
🔍 Abordagem Posterior Clássica (L2 ou L3) Punção percutânea por via posterior, através do músculo quadrado lombar e posas, até a face anterior do corpo vertebral L2 ou L3 — técnica mais comum.
🌊 Guiada por Ultrassom (Via Flank/Lateral) Visualização do posas, vasos iliacos e cadeia simpática em tempo real, injeção no espaço pré-vertebral profundo — menor risco de injeção intravascular ou peritoneal.
🎯 Abordagem Anterior Transabdominal (USG) Via abdominal anterior, através do peritônio, diretamente sobre os vasos iliacos — técnica alternativa em pacientes com anatomia posterior dificultada.
🔄 Neurolyse Química (Fenol/Etanol) Para casos oncológicos (tumores retroperitoneais invadindo plexo) ou vasculopatia terminal — destruição permanente do tronco simpático.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral ou lateral (lado a ser bloqueado para cima, geralmente esquerdo para acesso à aorta como referência), lombar exposta, projeção radioscópica definida.
2️ Localização: Fluoroscopia em projeção AP e oblíqua identifica o corpo vertebral de L2 (nível clássico), o processo transverso (marcador lateral), e a localização da cadeia simpática anterior ao corpo vertebral, lateral à aorta (esquerda) ou veia cava (direita).
3️⃣ Inserção: Anestesia local, agulha de 20-22G introduzida em trajeto posterolateral (ângulo de 30-45 graus), "caminhando" sobre o posas até contato com o corpo vertebral L2 ou L3, retração 2-3 mm para espaço pré-vertebral.
4️⃣ Confirmação: Aspiração negativa (sem sangue — vasos lombares próximos; sem urina — ureter lateral ao campo), injeção de contraste mostrando dispersão linear ao longo do corpo vertebral (imagem de "filete" vertical), sem vascularização nem extravazamento peritoneal.
5️⃣ Medicação: Injeção de 10-15 ml de anestésico local (bupivacaína 0,25% ou ropivacaína 0,2%) por lado, frequentemente em L2 e L4 (dois níveis) para cobertura completa. Para vasculopatia terminal, pode-se usar fenol 6-10% ou etanol 50-100% (volume menor, 5-8 ml).
⏱️ Duração: 20-30 minutos.
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: Ambulatorial ou observação de 4-6 horas — vigilância de temperatura dos pés e sinais vitais.
🚶 Mobilização: Imediata, mas cautelosa — verificar estabilidade hemodinâmica (risco de hipotensão ortostática pelo vasodilatação).
📅 Recuperação:
- Aumento de temperatura do pé/bilateral (efeito confirmatório): imediato, pele quente e ruborizada (antes pálida/azulada)
- Anidrose (pele seca): imediata nos pés (antes suados)
- Alívio da dor: minutos a horas (se origem simpática)
- Duração: dias a semanas (anestésico); 3-6 meses ou permanente (neurolyse)
- Retorno ao trabalho: 24-48 horas
🎯 Resultados:
- SDRC do membro inferior: 60-75% de melhora significativa
- Doença arterial periférica: aumento do fluxo capilar, redução da dor em repouso, potencial salvamento de dedos/garotes
- Hiperhidrose plantar: 70-80% de redução do suor
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Riscos relacionados à proximidade com grandes vasos (aorta, veia cava, iliacos), ureteres e peritônio.
✅ Efeitos temporários esperados:
- Hipotensão ortostática (queda de pressão em pé) — comum nas primeiras 4-6 horas devido à vasodilatação abdominal e dos membros
- Aumento do peristaltismo intestinal (diarreia) — efeito simpático bloqueado, parasimpático predominante
- Ejaculação retrógrada em homens (se neurolyse bilateral) — sêmen vai para a bexiga em vez de para fora — discutido previamente como efeito colateral esperado em casos de hiperhidrose, mas indesejado se não esperado
- Aquecimento unilateral do corpo (se bloqueio unilateral)
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Hemorragia retroperitoneal (lesão de artérias lombares, aorta ou iliacas) — rara, mas grave; controle por compressão ou embolização
- Injeção intravascular (aorta, veia cava, iliacas) — toxicidade do anestésico (convulsão, arritmia)
- Injeção peritoneal (no abdome) — falha do bloqueio, irritação peritoneal
- Lesão do ureter (lateral ao campo) — urinoma, fístula urinária — rara
- Hematoma do músculo posas (síndrome compartimental) — dor intensa na virilha/coxa
✅ Conversamos previamente sobre:
- Risco de ejaculação retrógrada em homens (se bloqueio neurolytico bilateral) — infertilidade funcional temporária ou permanente
- Hipotensão ortostática significativa — levantar devagar, hidratação
- Diarreia temporária — preparo psicológico e medicamentoso
- Sinais de alerta: febre, dor abdominal intensa, sangue na urina, inchaço da virilha (hematoma posas) — exigem avaliação
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Tratamento de primeira linha para SDRC do membro inferior e vasculopatia periférica dolorosa não operável
🔹 Preferência pela abordagem guiada por ultrassom ou TC para evitar vasos e ureteres
🔹 Neurolyse (fenol/álcool) reservada para casos terminais (doença vascular crítica com risco de amputação) ou hiperhidrose grave — consentimento específico sobre ejaculação retrógrada obrigatório em homens
🔹 Contraindicado se aneurisma de aorta abdominal, trombose venosa profunda aguda (risco de embolia), ou obstrução intestinal (ileo paralítico risco)
🤝 Alcançamos o tronco nervoso que controla o calor dos pés, injetando o remédio no retroperitônio profundo entre a aorta e a coluna, trazendo sangue quente de volta aos dedos azulados enquanto navegamos longe do ureter e dos grandes vasos. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
