🌸 Bloqueio do Plexo Hipogástrico

🌸 Bloqueio do Plexo Hipogástrico

> "Alcançando o entroncamento nervoso da pelve profunda, silenciando a dor visceral dos órgãos reprodutivos e urinários sem afetar a sensibilidade da pele."


📋 O que é?

Procedimento de infiltração neurolytica ou anestésica guiada por imagem (tomografia ou ultrassom transvaginal/abdominal) direcionado ao plexo hipogástrico (plexo presacro ou inferior) — rede nervosa localizada na região retroperitoneal baixa, anterior ao sacro e ao promontório (S1-S3), responsável pela inervação sensitiva dos órgãos pélvicos.

O plexo hipogástrico é a "central telefônica" da dor visceral pélvica — recebe sinais do útero, ovários, trompas, próstata, vesícula seminal, reto sigmoide e bexiga. Diferente do plexo celíaco (abdomen superior), este está mais baixo, na bifurcação dos vasos ilíacos comuns. Ao bloquearmos este plexo, interrompemos a dor de órgãos pélvicos intrínsecos, mantendo a sensibilidade da pele perineal e das paredes abdominais.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Endoemtriose

🎗️ Dor pélvica crônica visceral refratária (endometriose severa, adenomiose, câncer ginecológico ou prostático)

🎗️ Dor oncológica pélvica (cervix, corpo uterino, ovários, próstata, reto) — neurolyse paliativa

🎗️ Síndrome dolorosa pélvica crônica não oncológica (dispareunia profunda, dor menstrual refratária)

🎗️ Dor pós-radioterapia pélvica (cistite/retite radica)

🎗️ Câncer cervical avançado com dor central pélvica

🎗️ Como complemento ao bloqueio celíaco para dor visceral difusa (abdome e pelve)


🔧 Abordagens técnicas

🔍 Abordagem Posterior Transdiscal L5-S1 (Técnica de Plancarte) Punção percutânea por via sacral, através do espaço discal L5-S1 (mais segura, evita vasos ilíacos), avançando até o espaço pré-sacral anterior.

🌊 Abordagem Transvascular (Via Femoral) Acesso anterior pela artéria femoral, cateterismo retrógrado da artéria ilíaca interna até o plexo — realizada por angiografia.

🎯 Abordagem Transvaginal ou Transretal (Guiada por USG) Acesso direto através da parede vaginal posterior ou retal, sob visão ultrassonográfica — alta precisão, menor risco vascular.

🔄 Abordagem Anterior Transperitoneal (Rara) Via cirúrgica aberta ou laparoscópica, diretamente no ligamento amplo (em cirurgias oncológicas combinadas).


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento (Técnica Posterior): Decúbito ventral ou lateral, lombar exposta, entrada paramediana esquerda (evitando o cóccix).

2️⃣ Localização: TC identifica o espaço discal L5-S1, o promontório sacro e a bifurcação aórtica/ilíaca. O plexo está anterior ao corpo de S1, atrás do peritônio, ao redor da artéria sacral mediana.

3️⃣ Inserção: Anestesia local, agulha de 20-22G introduzida em trajeto ânteroinferior através do espaço sacral (lateral ao cóccix e medial à asa ilíaca), avançando até a face anterior do sacro, abaixo da bifurcação vascular.

4️⃣ Confirmação: Aspiração negativa (sem sangue — vasos ilíacos próximos), injeção de contraste mostrando dispersão linear ao longo da face anterior do sacro (imagem de "V invertido" ou "asa de borboleta" baixa).

5️⃣ Medicação:

  • Bloqueio: 10-15 ml de anestésico local (bupivacaína) + corticoide.
  • Neurolyse: 10-20 ml de etanol absoluto ou fenol 6%, frequentemente precedido por anestésico.

⏱️ Duração: 30-60 minutos (sob sedação consciente).


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: Observação por 4-24 horas (menor risco hipotensivo que o celíaco, mas vigilância necessária).

🚶 Mobilização: Cautelosa nas primeiras 4-6 horas (verificar estabilidade hemodinâmica).

📅 Recuperação:

  • Alívio da dor pélvica profunda: imediato (bloqueio) ou 24-72h (neurolyse)
  • Efeito sobre função intestinal/bexiga: mínimo (diferente do celíaco, menos efeito nos órgãos pélvicos de evacuação)
  • Efeito sobre função sexual: teoricamente mínimo, mas possível alteração transitória da sensibilidade vaginal/prostática
  • Duração: semanas a meses (bloqueio) ou 3-6 meses (neurolyse oncológica)

🎯 Resultados:

  • Alívio da dor oncológica pélvica em 60-80% dos casos
  • Melhora significativa em endometriose severa (como ponte para tratamento hormonal/cirúrgico)
  • Redução do uso de opioides em câncer avançado

🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Riscos relacionados à proximidade com vasos ilíacos, ureteres e órgãos pélvicos.

Efeitos temporários:

  • Dor local na região sacral/glútea
  • Sensação de calor ou "ondas" na pelve (efeito do anestésico)
  • Náuseas leves (menos comuns que no celíaco)

Nossa equipe está preparada para:

  • Hemorragia (lesão de artérias ilíacas ou sacrais laterais) — rara, controlável por compressão
  • Injeção intravascular (embolia de álcool se neurolyse) — verificação com contraste obrigatória
  • Perfuração do reto ou vagina (abordagem transdiscal muito anterior) — rara, profilaxia antibiótica
  • Lesão do ureter (lateral ao plexo) — urinoma ou fístula rara
  • Disfunção sexual transitória (ejaculação retrógrada ou anorgasmia — rara e geralmente transitória)

Conversamos previamente sobre:

  • Que a dor de parede abdominal/pelve não será afetada (apenas componente visceral profundo)
  • Possibilidade de necessidade de associação com bloqueio de gânglios impar (cóccix) para dor perineal total
  • Efeitos diferentes entre sexos: mulheres podem notar alteração na percepção menstrual; homens, mínimo efeito na função erétil (controle autônomo complexo)
  • Sinais de alerta: febre, dor abdominal/pelvica intensa progressiva, sangramento retal ou vaginal, retenção urinária — exigem avaliação

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Excelente opção para dor visceral pélvica oncológica (câncer de colo do útero, ovário, próstata) quando o celíaco é muito alto

🔹 Útil em endometriose severa como parte do manejo multidisciplinar (antes ou após cirurgia)

🔹 Contraindicado se aneurisma de iliacas, doença vascular periférica severa, ou infecção pélvica ativa

🔹 Preferir abordagem transvaginal (USG) em mulheres para evitar risco vascular e transdiscal

🔹 Menor risco de diarréia e hipotensão que o bloqueio celíaco, mas eficácia limitada a órgãos pélvicos específicos


🤝 Alcançamos o centro neural da pelve profunda para silenciar a dor dos órgãos internos, preservando a intimidade e a função enquanto aliviamos o sofrimento visceral. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.