💉 Bloqueio de Articulações Facetárias Torácicas
> "Alcançando as juntas do meio das costas através de uma janela segura entre as costelas, banhando de anti-inflamatório as facetas que doem com cada respiração."
📋 O que é?
Procedimento de infiltração guiada por imagem direcionado às articulações apofisárias (facetárias) da coluna torácica (T1-T2 até T11-T12). Por via percutânea, introduzimos anestésico e corticoide diretamente nas articulações facetárias ou ao redor dos ramos mediais que as inervam, visando aliviar a dor mecânica torácica de origem articular.
A coluna torácica é a região menos móvel da coluna devido à gaiola torácica. As facetas torácicas orientam-se frontalmente, favorecendo a rotação. Quando degeneradas ou traumatizadas (fraturas osteoporóticas antigas, hipercifose postural), geram dor localizada, frequentemente descrita como "nó" ou "ponto" dolorido entre as escápulas ou ao longo das costas, que piora com rotação do tronco e inspirar fundo.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Dor torácica mecânica crônica (entre as escápulas ou paravertebral) sem origem visceral (cardíaca, pulmonar, esofágica excluídas)
🎗️ Artropatia facetária torácica documentada (RX/TC/RM mostrando hipertrofia facetária, esclerose, osteófitos)
🎗️ Dor pós-fratura por compressão osteoporótica crônica (fraturas velhas consolidadas mas dolorosas nas facetas adjacentes)
🎗️ Dor torácica mecânica pós-cirurgia torácica ou mamária (compensatória)
🎗️ Bloqueio diagnóstico prévio à rizotomia torácica
🎗️ Cifose postural dolorosa com irritação facetária
🔧 Abordagens técnicas
🔍 Abordagem Posterior Direta Intra-articular Punção perpendicular às facetas por via posterior, deslizando a agulha entre as cabeças das costelas adjacentes (espaço intercostal).
🌊 Abordagem Oblíqua (Técnica de Maldague Modificada) Ângulo de 20-30 graus para evitar a cúpula pleural, direcionando-se ao ponto de acesso das facetas torácicas superiores (T1-T6).
🎯 Bloqueio dos Ramos Mediais Torácicos Injeção ao redor dos nervos que inervam as facetas, geralmente na base do processo transverso, técnica mais segura que a intra-articular estrita em níveis superiores.
🔄 Bloqueio Costotransverso Para dores que envolvem a articulação entre a costela e o processo transverso (frequentemente confundida com dor facetária).
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral com rotação leve do lado tratado para cima, facilitando a abordagem oblíqua e afastando a escápula (para níveis T3-T7).
2️⃣ Localização: Fluoroscopia em projeção AP e oblíqua leve. As facetas torácicas aparecem como estruturas verticais sobrepostas às cabeças das costelas. Marcadores: processos transversos, articulações facetárias, cabeças costais.
3️⃣ Inserção: Anestesia local, agulha de 25G introduzida em trajeto posterolateral, avançando cuidadosamente entre as costelas até a cápsula articular (resistência branda) ou até o ponto de acesso do ramo medial.
4️⃣ Confirmação: Injeção de 0,2-0,5 ml de contraste iodado confirmando distribuição intra-articular (ovóide) ou periarticular. Cuidado extremo para não ultrapassar para a cavidade pleural (visualização do pulmão ao injetar contraste = abortar).
5️⃣ Medicação: 0,5-1 ml de anestésico local + 20-40 mg de corticoide por nível (geralmente 2-3 níveis).
⏱️ Duração: 20-30 minutos (mais lento que lombar devido à precisão necessária).
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: Ambulatorial — alta após 1-2 horas (observação respiratória prolongada).
🚶 Mobilização: Imediata — sem restrições, mas evitar rotação torácica brusca por 24h.
📅 Recuperação:
- Alívio imediato: 15-30 minutos (confirmação diagnóstica)
- Efeito terapêutico: 3-7 dias
- Pico: 1-2 semanas
- Duração: 2-6 meses
- Retorno ao trabalho: imediato (sedentário), 2-3 dias (físico leve)
🎯 Resultados:
- Variáveis (50-70% de sucesso) devido à dificuldade de diagnóstico preciso na região torácica (muitas estruturas podem causar dor similar)
- Se eficaz: indicação de que a origem é facetária, podendo-se considerar rizotomia para efeito mais duradouro
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
O risco principal é a pneumotórax (perfuração da pleura e pulmão), especialmente nos níveis superiores.
✅ Efeitos temporários:
- Dor local na costela
- Aumento da dor com inspiração profunda por 24-48h (irritação pleural mínima)
- Rubor facial (corticoide)
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Pneumotórax (2-5% dos casos, dependendo do nível e técnica) — raio-X pós-procedimento obrigatório se suspeita; drenagem torácica se sintomático
- Hematoma intercostal ou paravertebral — raro, autolimitado
- Injeção intravascular (artérias intercostais) — contraste obrigatório antes da medicação
- Injeção subaracnoidea (rara nesta região, mas possível) — bloqueio espinhal
✅ Conversamos previamente sobre:
- Dificuldade do diagnóstico diferencial na região torácica — exclusão de causas cardíacas, pulmonares e esofágicas é obrigatória antes do procedimento
- Risco aumentado de pneumotórax em pacientes com enfisema ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
- Sinais de alerta: falta de ar súbita, dor torácica pleurítica aguda — exigem avaliação emergencial e raio-X
- Necessidade de correção postural associada para evitar recidiva
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Útil como ferramenta diagnóstica e terapêutica em dor torácica mecânica facetária confirmada
🔹 Contraindicado se causas viscerais não excluídas, pneumopatia severa (risco pneumotórax), ou escoliose rotatória severa (dificuldade técnica)
🔹 Técnica mais desafiadora que a lombar — exige operador experiente
🔹 Resultados melhores quando combinados com fisioterapia postural e fortalecimento dos músculos interescapulares
🤝 Atingimos as juntas do meio das costas com a precisão de um relojoeiro, respeitando o espaço pulmonar adjacente enquanto banhamos de remédio as facetas doloridas. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
