⚡ Biacuplastia Discal Lombar por Radiofrequência Bipolar

⚡ Biacuplastia Discal Lombar por Radiofrequência Bipolar

> "Criando um campo de energia controlada entre dois polos dentro do disco degenerado, desativando os fios da dor sem remover a estrutura de amortecimento."


📋 O que é?

Procedimento minimamente invasivo de modulação discal guiado por imagem, específico para a coluna lombar, que utiliza o sistema de radiofrequência bipolar (biaxial) para tratar a dor discogênica crônica. Diferente da ablação monopolar tradicional, aqui dois eletrodos são inseridos no disco intervertebral lombar, criando um campo elétrico entre suas pontas que gera calor controlado (60-90°C) de forma precisa e focal.

O sistema bipolar age como uma "pinça energética" — em vez de dispersar energia para todo o corpo (eletrodo dispersivo externo), concentra o efeito térmico exatamente entre as pontas ativas dentro do anel fibroso e núcleo pulposo. Isso permite destruir as terminações nervosas sensitivas que cresceram para dentro do disco degenerado (neovascularização e neoinervação) e modificar a bioquímica do núcleo, reduzindo a pressão interna e a inflamação.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Dor lombar crônica axial (central ou paravertebral) de origem discogênica confirmada (>6 meses)

🎗️ Degeneração discal lombar (DDM) estágios 2-4 de Pfirrmann (discos hipo/iso/hiperintensos com perda de altura moderada)

🎗️ Fissuras anulares circunferenciais ou radiais documentadas (IRM de alta resolução ou discografia)

🎗️ Dor que piora com sentado, flexão e levantamento de peso; melhora com deitado ou mudança de posição

🎗️ Falha de tratamento conservador intensivo (fisioterapia, infiltrações epidurais, medicação)

🎗️ Hérnia discal contida (protrusão) com dor predominantemente discogênica versus radicular pura

🎗️ Contraindicação ou recusa à artrodese lombar ou discectomia aberta


🔧 Níveis e configurações técnicas

🔍 Abordagem Bipolar Clássica (L2-L3 a L4-L5) Dois eletrodos introduzidos pelo lado doloroso (ou bilateralmente) através do anel fibroso posterolateral, posicionados paralelos no plano nuclear, distância entre pontas de 8-12 mm.

🌊 Configuração "Triângulo" (L5-S1) Devido à inclinação da base sacral e altura reduzida do disco, eletrodos posicionados em ângulo oblíquo, frequentemente um mais anterior e outro posterior, criando campo de ablação em V.

🎯 Técnica Unilateral versus Bilateral Unilateral: dois eletrodos pelo mesmo lado; Bilateral: um eletrodo por lado (maior cobertura do anel circunferencial, indicada em fissuras extensas).

🔄 Associação com Nucleoplastia Em alguns protocolos, combinação com remoção mecânica de pequeno volume nuclear (coblation) seguida de biacuplastia térmica para destruição neural.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Decúbito ventral com almofada sob o abdome para reduzir a lordose lombar e abrir o espaço interlaminar/discal, acesso lombar posterolateral exposto.

2️⃣ Localização: Fluoroscopia em projeções AP e lateral precisas. Identificação do espaço discal alvo (geralmente L4-L5 ou L5-S1, mais raramente L3-L4), visualização do "triângulo de segurança" (abaixo do pedículo, lateral ao canal medular, acima da raiz saindo).

3️⃣ Inserção do Primeiro Eletrodo: Anestesia local, agulha de trabalho (14-16G) introduzida por via posterolateral extrapedicular, atravessando o anel fibroso até o núcleo pulposo (confirmação por perda de resistência e fluoroscopia lateral).

4️⃣ Inserção do Segundo Eletrodo: Segunda agulha introduzida paralela à primeira, distância de 8-12 mm entre as pontas ativas, ambas posicionadas no plano equatorial do disco ou próximo à fissura anular sintomática.

5️⃣ Conexão e Ablação: Conexão ao gerador de RF bipolar, verificação de impedância (40-200 ohms ideal), aquecimento progressivo em ciclos (tipicamente 60°C, 70°C, 80°C por 2-3 minutos cada, total 6-15 minutos), com monitoramento da temperatura em tempo real nas pontas dos eletrodos.

⏱️ Duração: 30-45 minutos por nível discal.


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: Ambulatorial ou observação de 4-6 horas — alta no mesmo dia.

🚶 Mobilização: Imediata — caminhada leve estimulada desde a recuperação anestésica, sem imobilização rígida.

📅 Recuperação:

  • Dor local lombar: 3-7 dias (mecanismo da punção e reação inflamatória térmica)
  • "Flare-up" discal: exacerbação da dor entre dias 3-14 (neurite de desaferentação e edema térmico) — controlável com anti-inflamatórios e analgésicos simples
  • Início de alívio significativo: 4-6 semanas (tempo para destruição neural e redução da inflamação discal)
  • Pico de benefício: 8-12 semanas
  • Retorno ao trabalho sedentário: 3-5 dias; físico leve: 2-3 semanas; pesado: 6-8 semanas

🎯 Resultados esperados:

  • Redução da dor axial lombar em 60-75% dos casos bem selecionados (melhora >50% na escala visual analógica)
  • Melhora da função (capacidade de sentar, dirigir, atividades diárias)
  • Duração do efeito: 12-24 meses (regeneração neural lenta; pode ser repetida)
  • Evitação ou adiamento da cirurgia de fusão em 40-60% dos pacientes a longo prazo

🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Procedimento seguro quando bem indicado, mas intradiscal — exige rigor técnico absoluto na região lombar.

Efeitos temporários:

  • Espasmo muscular lombar intenso nos primeiros dias
  • Parestesias radiculares transitórias (L4, L5 ou S1) se eletrodo próximo à raiz — geralmente resolve em horas/dias
  • Febre baixa (reação inflamatória ao calor) — rara, autolimitada

Nossa equipe está preparada para:

  • Lesão radicular (agulha migrando para o canal ou forame) — extremamente rara com fluoroscopia adequada, mas causa radiculite
  • Discite (infecção do disco) — rara (<0,5%), prevenção com técnica asséptica rigorosa e antibiótico profilático
  • Hematoma discal ou retroperitoneal (lesão de vaso segmentar) — raro
  • Fratura do anel fibroso (excesso de pressão na introdução) — contraindicação se discos muito degenerados/colicificados
  • Falha técnica (não alcançar o disco por estenose foraminal severa ou colapso discal >50%)

Conversamos previamente sobre:

  • Que o procedimento não repara o disco (não regenera cartilagem), mas desnerva-o e reduz a pressão interna — a degeneração continua, mas sem dor
  • Importância da seleção rigorosa: discografia pode ser necessária para confirmar que aquele disco específico é a fonte da dor
  • Contraindicações específicas: estenose do canal central severa, espondilolistese instável >grau 2, colapso discal >50% da altura, infecção sistêmica ativa
  • Necessidade de reabilitação ativa após o procedimento (fortalecimento do core) para evitar recidiva

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Excelente opção para dor discogênica lombar genuína (black disc, fissura anular) antes de considerar fusão cirúrgica

🔹 Preferível à nucleotomia percutânea química (colagenase) ou laser em muitos casos devido à maior precisão térmica e menor risco de colapso discal

🔹 Custo-benefício favorável comparado à cirurgia maior: menor morbidade, sem hardware, recuperação rápida

🔹 Deve ser realizada apenas após falha de tratamento conservador de qualidade (não é primeira linha)

🔹 Limitação: não trata compressão radicular verdadeira por hérnia discal extrusa — nestes casos, indica-se discectomia microcirúrgica


🤝 Criamos um campo de energia preciso entre dois polos dentro do disco lombar degenerado, silenciando seus gritos de dor sem remover o amortecedor natural da coluna. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.